terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Fotos raras de índios isolados na Amazônia peruana são divulgadas

 

Imagens mostram de perto família de indígenas da etnia Mashco-Piru.
Registro foi feito durante expedição que buscava pássaros da Amazônia.

 

A organização ambiental Survival International divulgou nesta terça-feira (31) imagens inéditas que mostram, de perto, índios isolados da etnia Mashco-Piro que vivem no Parque Nacional de Manú, localizado dentro da Amazônia, no Peru.

As fotos de uma família desta etnia foram realizadas entre agosto e novembro de 2011, durante expedição da fotógrafa Gabriela Galli ao sudeste peruano, que buscava registrar pássaros da Amazônia quando encontrou alguns índios próximo a um rio. Não houve contato com os índios, segundo a ONG.

Primeiras imagens feitas de perto da aldeia de índios isolados Mashco-Piro, que vivem na Amazônia peruana (Foto: Gabriella galli/Survival/Divulgação)

De acordo com a Survival, os Mashco-Piro são uma das tribos isoladas que já foram detectadas ao redor do mundo (são cerca de cem). Entretanto, a organização afirma que está cada vez mais difícil de visualizá-los dentro do parque. Atividades madeireiras e de extração de gás e petróleo na região podem causar dificuldades à pesquisa -- com medo, eles entram para mata fechada.

Em 2011, o Departamento de Assuntos Indígenas do Peru anunciou a criação de um posto de guarda na área para proteger os índios e a população, já que o primeiro contato pode ser perigoso para ambas as partes, afirma Stephen Cory, diretor da Survival.

Família de índios isolados da etnia Mashco-Piro, na Amazônia peruana (Foto: D.Cortijo/Survival/Divulgação)

Imagens foram feitas durante expedição de fotógrafos na Amazônia peruana (Foto: D.Cortijo/Survival/Divulgação)

Fonte: g1.Natureza 

Especialistas da ONU avaliam efeitos do acidente nuclear de Fukushima

 Sessenta especialistas internacionais, responsáveis por avaliar os efeitos da exposição à radiação após o acidente na usina japonesa de Fukushima, deram início hoje (30/01) a um encontro que durará toda a semana.“Estamos montando um quebra-cabeça, avaliando os riscos do público e dos trabalhadores”, afirmou o Presidente do Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atômica (UNSCEAR), Wolfgang Weiss.
 
Em março de 2011, a usina foi danificada devido a um terremoto seguido de tsunami que derrubaram o sistema interno de refrigeração de água, contaminando ar, água, plantas e animais. O encontro dos especialistas vai permitir identificar onde estão as lacunas nos arquivos e relatórios disponíveis, para garantir a confiabilidade dos dados e decidir onde centrar os esforços.

Os arquivos usados na pesquisa são fornecidos pelo Governo do Japão juntamente com contribuições da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA); e ainda com contribuições da Comissão Preparatória da Organização do Tratado para a Proibição Completa de Testes Nucleares.

Um relatório parcial será apresentado durante o encontro anual do UNSCEAR, entre 21 e 25 de maio. O relatório final será apresentado na Assembleia-Geral da ONU em 2013.

Artista tricota lindas roupas com jornais reciclados


O artista, ecologista e escultor italian Ivano Vitali une dois assuntos interessantes: tricô e reciclagem. Todas as suas obras são feitas com jornal reciclado, o que faz dele um legítimo defensor das causas do TreeHugger.

É um processo minucioso e intrincado, cujo resultado é uma série de vestidos delicados e verdadeiramente únicos.
 
 
Segundo um artigo do site italiano Artnest, Ivano Vitali tece roupas, luvas e cachecóis com jornais reciclados, rasgando o papel em, tiras e separando-o por cor para não evitar o uso de corantes. Em seguida, ele torce o papel até ele se transformar em uma bola de “lã”. Com agulhas de tricô especiais, ele aplica o papel em biquínis, vestidos, xales e luvas.

Vitali trabalha em Florença, na Itália. Começou como escultor, mas em 1995, decidiu abandonar os materiais tradicionais. Segundo ele, “a expressão da criatividade não deveria prejudicar o homem ou o meio ambiente, já que a natureza é um presente maravilhoso e temos o compromisso de preservá-la para as próximas gerações. Eu escolhi o papel reciclado como o único meio de realizar minhas obras”.
 
 
As cores e padrões são determinados pelo tipo de papel – brilhante ou colorido, grosso ou pesado – e as fotos e palavras que contêm. Vitali não usa corantes ou cola durante a fabricação dos fios, que são feitos por meio da sobreposição e torção das tiras de jornal. O ponto específico do tricô também é importante, mas ele reconhece que as peças não são muito confortáveis.


Vitali considera suas obras como "arte global de impacto zero”. “São feitas de materiais reciclados e não consomem recursos não-renováveis, oferecendo ainda a possibilidade de serem desfeitas, refeitas ou retornar à cadeia de reciclagem”.

"Meu principal objetivo é a divulgação da mensagem ecológica a todos os povos da Terra, porque acredito que o bem-estar e a felicidade dependem do respeito ao meio ambiente. Estou convencido de que cada pessoa, sem exceção, deve defender o planeta contra qualquer forma de poluição”, conclui.

 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Teoria radical explica origem, evolução e natureza da vida


Para a nova teoria, os pilares da criação são mecanismos guiados por leis naturais, das quais a vida é uma parte imanente e pervasiva.[Imagem: NASA]


Baseado em artigo de Jessica Studeny - 28/01/2012

Unificação do conhecimento
A Terra é viva, propõe uma nova e revolucionária teoria científica da vida.

A proposta está sendo feita por Erik Andrulis, professor de biologia molecular e microbiologia da Universidade Case Western, nos Estados Unidos.

O cientista desenvolveu um modelo que pretende nada menos do que unificar a física, a química e a biologia.

A teoria trans-disciplinar demonstra que objetos supostamente inanimados e não-vivos - por exemplo, planetas, a água, as proteínas e o DNA - são na verdade animados, ou seja, vivos.

Com o seu amplo poder explicativo, aplicável a todas as áreas da ciência e da medicina, este novo paradigma pretende catalisar um verdadeiro Renascimento.

Erik Andrulis adiantou seu controverso arcabouço teórico no manuscrito "Teoria da Origem, Evolução e Natureza da Vida", publicado no jornal científico Life, que é revisado pelos pares - ou seja, outros cientistas acataram a proposta como, no mínimo, digna de ser lida.

Emergência da vida no Universo

A teoria explica não só a emergência evolutiva da vida na Terra e no Universo, como também a estrutura e a função desde as células até as biosferas.

Além de resolver paradoxos e enigmas que têm persistido na química e na biologia, a teoria do Dr. Andrulis unifica a mecânica quântica e a mecânica celestial.

Sua solução nada ortodoxa para este problema quintessencial na física difere das abordagens tradicionais, como a teoria das cordas - para Andrulis, a solução é simples, não-matemática, e experimentalmente e experiencialmente verificável.


Como tal, o novo retrato da gravidade quântica é radical.
Dr. Erik D. Andrulis, autor da nova Teoria da Origem, Evolução e Natureza da Vida. [Imagem: Case Western]

Redemoinho da vida

A ideia básica da teoria do Dr. Andrulis é que toda a realidade física pode ser modelada por uma única entidade geométrica, com características de vida: o redemoinho, ou giro.
O chamado "giromodelo" retrata objetos-partícula, átomos, compostos químicos, moléculas e células, como pacotes quantizados de energia e matéria que oscilam ciclicamente entre estados fundamentais (não-excitados) e animados (excitados) em torno de uma singularidade, o centro do giromodelo.

Uma singularidade é ela própria modelada como um giro, totalmente compatível com a natureza termodinâmica e fractal da vida. Um exemplo dessa organização aninhada, auto-similar, pode ser encontrado nas bonecas russas Matryoshka.

Leis da natureza
Ajustando o giromodelo para fatos acumulados ao longo da história científica, o Dr. Andrulis confirma a existência, proposta por sua teoria, de oito leis da natureza.
Uma delas, a lei natural da unidade, decreta que a célula viva e qualquer parte do universo visível são irredutíveis.

Esta lei estabelece formalmente que não há uma realidade física.

Outra lei natural determina que os reinos atômico e cósmico obedecem a restrições organizacionais idêntica - simplificando, os átomos do corpo humano e os sistemas solares no Universo movem-se e comportam-se exatamente da mesma maneira.

O novo paradigma oferece uma fundamentação teórica à premissa de Gaia, de James Lovelock. [Imagem: U.C.Riverside]


Teoria da vida
"A ciência moderna não tem uma teoria da vida interdisciplinar, unificante. Em outras palavras, as teorias atuais são incapazes de explicar por que a vida é do jeito que é, e não de outra forma," diz o Dr. Andrulis.

"Este paradigma geral fornece uma perspectiva nova e estimulante sobre o caráter e o sentido da vida, oferece soluções para problemas que persistem [nas teorias atuais] e se esforça para acabar com os debates desagregadores," completa.

Um desses debates gira em torno do mérito científico da popular hipótese de Gaia, de James Lovelock.

Ao mostrar que a Terra é teoricamente sinônimo de vida, o paradigma do Dr. Andrulis fundamenta a premissa de Gaia de que todos os organismos e seu ambiente na Terra estão intimamente integrados para formar um único e complexo sistema auto-regulador.

Outra briga lendária é a que persiste entre os criacionistas bíblicos e os evolucionistas neo-darwinistas.

Ao demonstrar que a origem e a evolução da vida são consequências de leis naturais e forças físicas, a nova teoria sintetiza argumentos e desconstrói suposições de ambos os lados do debate criação-evolução.

Equilíbrio
Para testar seu paradigma, o Dr. Andrulis projetou diagramas bidirecionais de fluxo que tanto descrevem quanto preveem a dinâmica da energia e da matéria.

Embora tais diagramas possam ser estranhos para alguns cientistas, eles usam a notação das reações que é clássica para os químicos, bioquímicos e biólogos.

O texto completo do artigo Teoria da Origem, Evolução e Natureza da Vida está disponível em inglês.

Como ocorre com todas as novas teorias, a única coisa possível de adiantar com relação à proposta do Dr. Andrulis é que ela suscitará debates apaixonados - e paixões quase nunca levam a primeiros comportamentos equilibrados.

Bibliografia:

Theory of the Origin, Evolution, and Nature of Life.
Erik D. Andrulis
Life
Vol.: 2(1):1-105
DOI: 10.3390/life2010001
http://www.mdpi.com/2075-1729/2/1/1/pdf

Fonte: inovacaotecnologia 


'Rua mais bonita do mundo' vira ponto turístico em Porto Alegre


Moradores fazem trabalho de preservação da Gonçalo de Carvalho.
G1 visitou a rua e conversou com residentes e turistas.

Árvores formam espécie de túnel na Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre (Foto: Tatiana Lopes / G1)

 Apelidada por um professor português, a "rua mais bonita do mundo" ganhou fama pela internet e pelas redes sociais e agora é parada obrigatória para os turistas que visitam Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Calma e arborizada, a Rua Gonçalo de Carvalho fica na divisa dos bairros Independência e Floresta. Decretada Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental do município em junho de 2006, ficou conhecida não só pelas árvores que formam um túnel verde em sua extensão, mas também pela luta pela preservação mantida há anos pelos moradores e até por quem não reside nela.

Turistas mineiros incluíram visita à rua no roteiro da
visita a Porto Alegre após verem matéria na TV
(Foto: Tatiana Lopes/G1)

 Sob sol forte e temperatura de mais de 30°C, o G1 visitou o local na última semana. Em uma hora, pelo menos três grupos foram vistos fotografando as árvores na Gonçalo de Carvalho. "Vi uma matéria na televisão e procurei na internet. Eu tinha que vir conhecer, é muito bonita mesmo", disse o mineiro de Belo Horizonte Thiago Prisco, 27 anos, que curte férias com o amigo Antônio Luiz Balbino Neto, 28. Em meio aos visitantes, os moradores caminham tranquilamente com seus animais de estimação. Carros transitam frequentemente na rua, mas o volume de ruídos parece menor a quem anda pelo local. A sensação é que as árvores abafam o barulho. E é possível ouvir o canto dos pássaros.

Os turistas mineiros sabiam, sem muitos detalhes, de algumas das histórias da rua. A Gonçalo começou a ganhar fama em 2005, quando moradores e admiradores do local se uniram para impedir a construção de um estacionamento. O projeto previa a remoção de algumas árvores, além da colocação de asfalto no lugar dos tradicionais paralelepípedos do local - que sugam a água da chuva e a armazena no solo, ajudando na irrigação das árvores.

Vistas de cima, árvores formam túnel na rua
(Foto: Ricardo Stricher / PMPA)

 "Depois de muita luta, o caso foi para a Justiça e a construtora desistiu do projeto. Não demorou muito para a rua virar Patrimônio Ambiental de Porto Alegre", orgulha-se o artista gráfico Cesar Cardia, um dos principais defensores da Gonçalo, e que não mora na rua.

Cardia mantém o blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, onde reúne material sobre a preservação da rua. Ele faz parte também da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência (Amabi). "Quando a principal liderança da rua morreu, o dentista Haeni Ficht, passei a cuidar mais da associação. Chegavam e-mails de fora de Brasil e até de outros países. Nem sabíamos como ficavam sabendo da rua", lembra.

Com as publicações na internet, textos e imagens sobre a rua se espalharam. Em 2008, o blog catalão Amics arbres (Amigos das árvores) escreveu sobre a Gonçalo. Pouco depois, o blog português A sombra verde também divulgou o local e a apelidou de rua mais bonita do mundo. A partir disso não demorou muito para a Gonçalo virar assunto na imprensa e atrair mais visitantes.

Imobiliárias de Porto Alegre não conseguem fazer um levantamento sobre a valorização da Gonçalo de Carvalho desde que virou patrimônio. Em contato com o G1, as explicações chegam quase sempre ao mesmo fim: não há uma quantidade considerável de ofertas na rua. “Os moradores são antigos, moram em suas residências e apartamentos há anos”, informou a imobiliária Lopes.

Rua foi considerada patrimônio de Porto Alegre
em 2006, mas sofre com ação de vândalos
(Foto: Tatiana Lopes / G1)
 Sob os cuidados dos moradores
Segundo Cardia, foram os moradores que ajudaram a plantar, há mais de 70 anos, as árvores que hoje formam o túnel verde. As tipuanas são altas, com galhos e folhas grandes, que se espalham no alto dos troncos. No verão, a sombra predomina, enquanto no inverno o sol aparece, já que praticamente todas as folhas caem.
A dedicação mantida pelos moradores faz com que eles se sintam atingidos quando alguém comete algum ato de vandalismo. Uma das árvores, que fica em frente a um dos acessos a um shopping da região, está queimada e pichada. Outra, no lado oposto da rua, tem um cartaz pregado com aviso sobre onde colocar o lixo. A placa colocada em um banco de concreto pela Prefeitura, com a identificação de Patrimônio Ambiental, já teve de ser recolocada mais de três vezes.
Passeio com crianças e animais de estimação
Além dos turistas, moradores da região também aproveitam a paisagem para passeios com crianças ou animais de estimação. "Procuramos um lugar para morar durante dois anos. Nossa escolha foi pelas árvores", diz o professor Ney Francisco Ferreira, de 44 anos, que reside na rua com a mulher, um filho e um cachorro.

A família já se acostumou com a presença de curiosos na Gonçalo: "Todos os dias tem gente tirando fotos aqui, virou uma normalidade", conta Ferreira. Assim como ele, o médico Luis Aranzibia, de 70 anos, boliviano que vive há 40 anos no Brasil e há 14 na Gonçalo de Carvalho, aproveita as horas vagas para passear. "Escolhi morar aqui por opção, a área verde chamou a atenção", lembra.

Cesar Cardia (D) mantém blog sobre a preservação da Gonçalo de Carvalho (Foto: Tatiana Lopes/G1)




domingo, 29 de janeiro de 2012

Pesquisa lista 100 firmas mais sustentáveis do mundo

 

Relatório da Corporate Knights coloca dinamarquesa Novo Nordisk em primeiro lugar e brasileira Natura fica na segunda colocação; Reino Unido aparece como nação com maior número de empresas sustentáveis no ranking, com 16.

 

Na corrida para incluir a sustentabilidade entre as questões mais importantes do mundo corporativo, o Brasil está aos poucos alcançando uma boa posição entre as nações industrializadas. Pelo menos é o que indica o relatório Corporate Knights 2012 das 100 Corporações Mais Sustentáveis do Mundo. No documento, a brasileira Natura figura como segunda colocada, e outras duas empresas do país foram incluídas, indicando que o Brasil pode estar no caminho certo para a sustentabilidade empresarial.

 

O relatório, que já está em sua 8ª edição e é sempre apresentado no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, é desenvolvido pela Corporate Knights, firma canadense de mídia e de finanças dedicada à promoção de práticas corporativas responsáveis e ao desenvolvimento da sustentabilidade social e ambiental.

Para criar a classificação, a Corporate Knights trabalha com os rankings de outras três organizações – Global Currents, Inflection Point Capital Management e Phoenix Global Advisors –, que selecionam cerca de 400 empresas de uma lista de quase quatro mil.

A partir dessas 400, o grupo de pesquisa da Corporate Knights seleciona as 100 mais sustentáveis através de 11 critérios ambientais, sociais e de governança. Se esses critérios não são divulgados pelas empresas, elas são penalizadas e perdem pontos, o que pode acarretar em uma queda na classificação.

Embora admita que essa abordagem tem falhas, a Corporate Knights alega que ela ajuda a diagnosticar “maus comportamentos” em diversas áreas, e é capaz de mensurar o progresso em vários aspectos.

“Essa abordagem não é perfeita. Ela não compreende a contaminação de ecossistemas, grilagem de terras na África, táticas de lobby clandestinas ou mau tratamento de civis em outros países (ainda não, pelo menos). Mas podemos sempre lançar uma luz nas empresas que estão se comportando mal em diferentes áreas. O que a abordagem faz é estabelecer algumas regras básicas objetivas e transparentes para medir o progresso”, diz o relatório.

“Não há modelo perfeito para medir a sustentabilidade da mesma forma que nenhum modelo financeiro pode antecipar perfeitamente os movimentos nos preços das ações. No entanto, sentimos que nosso modelo é o mais sofisticado, objetivo e com abordagem de dados mais direcionada”, justificou Doug Morrow, vice-presidente de pesquisa da Corporate Knights.

“Se você pode pontuar objetivamente as companhias por critérios significativos e esses pontos puderem ser usados para influenciar forças de mercado, será possível desviar capital de firmas ineficientes e irresponsáveis para as mais produtivas e responsáveis”, acrescentou ainda Toby Heaps, presidente da Corporate Knights.

O primeiro lugar geral na lista ficou com a dinamarquesa Novo Nordisk, companhia de medicamentos que é líder mundial no tratamento de diabetes. Segundo o documento, o que levou a Novo Nordisk para o topo da lista foi a combinação entre a filosofia empresarial, o estímulo para reduzir a pegada de carbono e a venda de remédios com desconto para países pobres.

“O principal fundamento da Novo Nordisk é a linha tripla, porque é isso que está protegendo nossa licença para operar. Isso obriga todos na companhia não apenas a ver que nos tornamos um bom negócio – essa é a linha financeira – mas que fizemos isso de uma forma que é social e ambientalmente responsável”, comentou Lars Rebien Sorensen, presidente e CEO da firma.

A brasileira Natura foi a segunda colocada. Mas a empresa de cosméticos não foi a única do país a figurar na lista. O 61º lugar ficou com o banco Bradesco, e o 81º, com a Petrobras.

“Dentro de seu grupo industrial, a Natura se tornou a melhor em produtividade de energia, comparada ao ano anterior, quando era apenas a terceira melhor entre seu grupo industrial. Ela também se tornou a segunda melhor em produtividade de resíduos na avaliação deste ano, e estava entre as principais em 2011”, explicou Morrow.

Em relação aos países que mais apresentam firmas sustentáveis, o Reino Unido ficou em primeiro lugar, com 16 companhias. Em seguida, vieram o Japão, com 11 empresas, a França e os Estados Unidos, com oito cada um, e a Austrália, com sete. Entre as nações emergentes, o Brasil teve três firmas incluídas na lista, a Índia, a África do Sul e a Coreia do Sul, uma empresa cada , e a China, nenhuma.

Para Heaps, além dos investimentos maiores e em maior quantidade, a sustentabilidade nos países industrializados também é estimulada por regulamentações e pela maior transparência política e econômica dessas nações.

“A companhias europeias têm a melhor transparência globalmente, e as do Reino Unido mantiveram alguma distância da queda do euro que tem atormentado o continente, então os números de produtividade delas se mantiveram melhor do que os das empresas similares do continente.”

Apesar disso, o relatório indica que nos países emergentes, bem como no mundo todo, a sustentabilidade empresarial também está se desenvolvendo. “É possível que as companhias de alguns países estejam superando outras, mas a comunidade corporativa como um todo está fazendo mais do que há cinco anos. Os níveis de desempenho estão aumentando globalmente”, declarou Aron Cramer, CEO da BSR.

Nesse contexto, o documento alerta ainda que o papel das 100 empresas do ranking é importante, pois estimula o mesmo comportamento por outras companhias. “Em um ano em que Wall Street foi ocupada e o capitalismo se tornou uma palavra ruim, as 100 companhias globais servem como embaixadoras para um tipo de capitalismo melhor e mais limpo, que acaba por ser mais rentável”, concluiu Heaps.

 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Feministas protestam seminuas culpando Fórum em Davos por crise

 

Grupo protestou em frente a resort que sedia Fórum Econômico Mundial.
Com os seios à mostra, ativistas foram detidas na cidade suíça.

 
Mulheres que fazem parte do grupo feminista ucraniano Femen fizeram um protesto seminuas neste sábado (28) em Davos, na Suíça, onde está sendo sediado o Fórum Econômico Mundial.

As ativistas pintaram os corpos e levaram cartazes com frases como "Pobres por causa de vocês" e "Crise - feita em Davos", culpando o Fórum pela crise econômica que impôs medidas de austeridade a vários países da Europa.

O grupo de feministas ucranianas ficou famoso no país ao realizar pequenos protestos contra uma gama de assuntos, como opressão política, prostituição e machismo. O apelo à nudez é marca do grupo, que passou a fazer manifestações também em outros países da Europa.

 

Ativistas erguem placas culpando o Fórum Econômico Mundial pela crise econômica (Foto: Anja Niedringhaus/AP)
Mulheres foram detidas pela polícia após se aproximarem do perímetro do local onde o encontro é sediado (Foto: Arnd Wiegmann/Reuters)

Fonte: g1.economia 

Índios Aikewara bloqueiam rodovia BR-153 no Pará

Eles reivindicam medidas de controle e mitigação ambiental dos impactos causados pela estrada, que corta a Terra Indígena onde vivem.

Índios Aikewara – eles também são chamados Suruí, mas preferem a primeira denominação – estão bloqueando desde ontem o tráfego na BR-153, na altura de São Domingos do Araguaia, no sudeste do Pará. O protesto reivindica o cumprimento de medidas de controle e mitigação ambiental para os impactos causados pela rodovia, que corta a Terra Indígena Sororó, onde eles vivem.
 
Desde 1998, segundo a comunidade, a estrada causa graves problemas para os indígenas. Apesar da estrada ser federal, a pavimentação foi feita pelo governo paraense. Por esse motivo, o Ministério Público Federal (MPF) chegou a firmar um acordo com a Secretaria de Transportes do Pará (Setran) para que medidas compensatórias fossem adotadas no sentido de compensar os índios e proteger seu território contra os impactos do asfaltamento.
 
Como o Estado do Pará não deu cumprimento ao acordo, a Procuradoria da República em Marabá expediu recomendação à Setran para que as medidas fossem definidas e implementadas. O processo de discussão do plano de ações foi então retomado, mas até agora não foram efetivamente implantadas as ações de proteção ambiental indicadas no laudo antropológico.
 
Segundo o MPF, a Setran e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes(Dnit) ainda não se entenderam. Enquanto o Estado do Pará diz que as responsabilidades devem ser compartilhadas, o Dnit alega que tais impactos serão compensados com o Plano Básico Ambiental apresentado à Funai em razão da pavimentação da BR-230, que também contemplaria as mitigadoras relativas à BR-153. 
 
Em 2010, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Corpo de Bombeiros do Pará constataram, depois de um incêndio de grandes proporções na área, que 30% da Terra Indígena já havia sido devastada por queimadas, na maior parte das vezes causadas por cigarros acesos e lixo jogado pelas janelas dos veículos que transitam na rodovia.
 
Os índios reivindicam, além do cumprimento da obrigação de compensar pelos impactos da rodovia, a construção de casas na aldeia, melhorias na escola e também no posto de saúde, que só foi construído em razão de uma ação civil pública ajuizada pelo MPF em Marabá contra a Funasa.
 
Recentemente, a Procuradoria da República em Marabá ajuizou outra ação para regularizar o atendimento e promover diversas outras melhorias na assistência à saúde das comunidades indígenas da região (veja aqui).
 
Os indígenas dizem que, se nada disso for cumprido, a estrada deve ser desviada para não passar mais dentro da terra deles.
 
Em reunião hoje na sede do MPF em Marabá, Dnit, Ibama, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Corpo de Bombeiros assumiram diversos compromissos que serão levados aos índios para negociar o desbloqueio da estrada. 
 
O Dnit ficou responsável por colaborar com a Setran para executar o plano de ações emergenciais e controle ambiental na área. “Ibama, Funai e Bombeiros se comprometeram a elaborar e apresentar, até a última semana de fevereiro, um programa conjunto de prevenção e combate a incêndios e queimadas na TI Sororó”, registra a ata da reunião. A Funai vai treinar nos próximos 15 dias os servidores para atuar no combate a queimadas.
 
Mineração - Também estava presente a empresa Dow Corning, responsável por um empreendimento de fabricação de silício metálico, que é vizinho à Terra Indígena e estaria provocando impactos na vida dos índios. O MPF já havia cobrado providências da Funai. Na reunião, a empresa se comprometeu a colaborar e vai apresentar à Funai o EIA-RIMA do empreendimento e suas licenças ambientais para que sejam feitos estudos destinados a identificar possíveis impactos aos Aikewara/Suruí, que deverão ser compensados pela empresa.
 
 

Cientistas criam sabão magnético para limpar vazamentos de petróleo

A opção deve reduzir os impactos ambientais gerados pelos acidentes. | Imagem: KeystoneUSA-ZUMA / Rex Features

Os cientistas da Universidade de Bristol e do Institut Laue-Langevin estão desenvolvendo o primeiro sabão magnético do mundo, usado para limpar vazamentos de petróleo. Esses acidentes petrolíferos têm um impacto devastador sobre a vida marinha. Basta olharmos para uma das imagens das consequências do derrame de petróleo no Golfo do México para compreender a terrível realidade.

O colapso do Deepwater Horizon lançou 4,9 milhões de barris de petróleo no Golfo do México em 2010. O petróleo consumiu tudo em seu caminho, assumindo o ecossistema com seus “venenos” e causando todos os tipos de problemas ambientais.

De acordo com o relatório publicado na revista Nature no ano passado, para assumir o controle da situação, cerca de três milhões de litros de dispersantes, incluindo sabões industriais chamados surfactantes foram lançados. Estes produtos químicos criaram seus próprios problemas ambientais e não só penetraram no óleo, mas viajaram milhares de milhas além do derramamento. Eles só começaram a quebrar as moléculas seis meses depois. Uma solução mais sustentável e segura é necessária.

O sabão, que está em fase de desenvolvimento, é composto de ferro rico em sais dissolvido em íons de água, brometo e cloreto. Esses íons formam um núcleo magnético dentro das partículas do sabão e podem ser controlados por campos magnéticos quando aplicado à água.

O projeto Magnetic Control over Liquid Surface Properties with Responsive Surfactants está atualmente em fase teórica, no entanto os cientistas imaginam um detergente futuro que poderá ser produzido a partir dessa hipótese, o que levará à limpeza segura de vazamentos de petróleo e de ambientes sensíveis. A hipótese chama a atenção para o uso de ímãs para levantar as substâncias nocivas sem perturbar demais o ambiente natural.

Um dos principais autores do artigo, Julian Eastoe, que liderou a pesquisa disse que existe a possibilidade dos sabões magnéticos serem usados para recriar o mesmo fenômeno em mais líquidos comercialmente viáveis, cuja gama de aplicações podem ir desde o tratamento de água a produtos de limpeza industrial.

A nova técnica foi submetida a testes limitados pelos pesquisadores. O sabão foi inserido abaixo de uma solução orgânica menos densa dentro de um tubo de ensaio. Sob o efeito de uma força magnética, o sabão foi levitado para a superfície.

Os especialistas vão continuar com mais pesquisas e elaborar métodos para desenvolver sabões que possam ser controlados pela luz, mudanças no pH, dióxido de carbono, temperatura ou pressão. Com informações do Mother Nature Network.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Gato faz olhar 'demoníaco' ao ser fotografado na Faixa de Gaza

Cena foi registrada no zoo Khan Yunis.


Um gato fez um olhar 'demoníaco' ao ser fotografado na terça-feira (24) no zoológico Khan Yunis, na Faixa de Gaza. (Foto: Said Khatib/AFP)

Fonte: g1 

Decoradores levam susto ao achar gato mumificado em reforma de casa

Dupla estava removendo o teto quando achou o felino.
'Acho que ele estava lá há mais de 100 anos', disse George Hartley.

 

Uma dupla de decoradores levou um susto após encontrar um gato mumificado em uma casa do século 18 que passa por reforma em Knaresborough, North Yorkshire, no Reino Unido, segundo o jornal inglês "Daily Mail".

Gato mumificado foi encontrado em uma casa do século 18. (Foto: Reprodução/Daily Mail)

 

Andrew e George Hartley estavam removendo o teto para avaliar as reformas que seriam necessárias quando descobriram o felino dentro do telhado.

"Ele estava bem preservado. Acho que ele estava lá há mais de 100 anos", disse Hartley.


 

 

No FST, ministra anuncia instalação de 60 mil cisternas em todo o país


Porto Alegre –A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, anunciou hoje (27) a construção de 60 mil cisternas em todo o país em parceria com a Fundação Banco do Brasil.
 
Tereza explicou que as cisternas são uma tecnologia social já conhecida e de grande importância, sobretudo para o Nordeste brasileiro, onde há um grande número de agricultores familiares. Ela avaliou que, de todos os males provocados pela extrema pobreza, a falta de acesso à água potável é o mais severo.

“Com o Banco do Brasil, vamos construir 60 mil cisternas este ano, mas a ideia é que, com ONGs [organizações não governamentais] e governos estaduais, a gente consiga atingir a meta de construir 750 mil cisternas até o ano que vem”, disse durante os debates do Fórum Social Temático (FST) 2012, em Porto Alegre.

As cisternas consistem em reservatórios cilíndricos, construídos próximo à casa da família, com capacidade para armazenar até 16 mil litros de água da chuva captados do telhado. A quantia é suficiente para suprir a necessidade de consumo básico de uma família de cinco pessoas por até oito meses.

“É uma tecnologia social já testada e que recolhe a água da chuva. Portanto, ela não só atende a população como é sustentável do ponto de vista ambiental. É uma medida importante de adaptação às mudanças climáticas, juntando o combate à pobreza, a sustentabilidade ambiental e o uso de tecnologias já reconhecidas”, explicou a ministra.

A construção de cisternas está prevista no programa Água para Todos, que integra o Plano Brasil sem Miséria e que tem como meta promover o acesso à água potável para consumo humano e para a produção agrícola e alimentar.

Acompanhe a cobertura completa do FST 2012 no site multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

 

Viva bem sem as sacolas plásticas!


A cada dia, as sacolas plásticas vão sendo substituídas por outras maneiras de transportar compras. Aqui vão algumas dicas para você se adaptar a esse novo cenário.

1) Tenha ao menos dois modelos delas: uma para compras ‘secas’; outra, para as ‘molhadas’, como bebidas geladas, carnes, queijo.

2) É válido ter modelos de tamanhos variados para compras grandes e pequenas. Organize sua lista de supermercado para prever qual modelo levar.

3) Deixe suas sacolas à mão providenciando cabides na área de serviço para guardá-las. Se você for vaidoso (a), pode até combinar a sacola com a roupa.

4) Se você costuma fazer as compras do mês pela internet, as receberá acomodadas em caixas. Às vezes são de papelão. Noutras, em caixas do próprio estabelecimento, que serão levadas de volta logo que você retirar os produtos de dentro.

Muito legais! Essas foram feitas com camisetas
Sacolas de nylon, tecido altamente resistente
Modelo mochila deixa as mãos livres
Vazada, boa para a feira
Vazada, boa para a feira

Na França, empresas cobrirão gasto de bicicleta para funcionários


O governo francês anunciou nesta quinta-feira uma iniciativa para estimular o uso da bicicleta. A principal medida é o financiamento pelas empresas das despesas de transporte dos funcionários que a adotarem. Em troca, serão garantidas isenções. 

O ministro dos Transportes, Thierry Mariani, informou que o sistema é similar ao existente na Bélgica. Naquele país, paga-se 21 centavos de euro por quilômetro rodado. 

                                                                                   Benoit Tessier/Reuters
O governo parisiense foi um dos primeiros a incentivar a adoção de bicicletas como transporte; acima, ponto de aluguel 

 A norma, apresentada em Paris, é resultado de um estudo encomendado pelo Executivo ao deputado conservador e prefeito do 15º distrito de Paris, Philippe Goujon. 

No jornal "Le Figaro", Goujon estimou em 20 milhões de euros o custo do Estado para indenizar por quilômetro as 2 milhões de pessoas que vão de bicicleta ao trabalho. Na França, o percurso médio é de 5 km. 

Em entrevista ao jornal "Metro", Mariani indicou que outras medidas serão estudadas, como modificar a norma de circulação para permitir que os ciclistas avancem o semáforo vermelho quando virarem à direita, marcar as bicicletas com código para combater os roubos e construir mais ciclovias. 

O ministro destacou que na França a utilização desse meio de transporte permite economizar 5,6 bilhões de euros pelos benefícios que proporciona à saúde das pessoas, além de limitar os gases poluentes. 

Para Mariani, se cada europeu pedalasse 2,6 quilômetros por dia ao invés de usar um carro, haveria uma redução no transporte em torno de 15% das emissões de CO2, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. 


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

No FST, Greenpeace critica Belo Monte, termoelétricas e novo Código Florestal

Porto Alegre – O coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace, Pedro Torres, defendeu hoje (26) a busca por alternativas à chamada economia verde e condenou obras como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA).
 
“O capitalismo está em crise e isso é um consenso que nos une a Davos [onde ocorre o Fórum Econômico Mundial], mas a economia verde não é a solução para essa crise”, disse. “Devemos pensar quais são as alternativas, para quem e como”, completou Torres durante evento no segundo dia de debates do Fórum Social Temático (FST) 2012.

Torres explicou que a Usina de Belo Monte deverá gerar mais energia para empresas amazônicas do que para a própria população da região afetada pelas obras. Ele alertou ainda que a cidade de Altamira, uma das mais impactadas, já soma 100 mil habitantes em razão das obras, mas sem melhorias na infraestrutura.

Investimentos em energia nuclear, segundo ele, também não são uma alternativa à crise. Durante o debate, o ativista lembrou os riscos evidenciados no acidente da Usina Nuclear de Fukushima, no Japão, que em março completa um ano. “O Brasil continua insistindo nessa energia que é suja, cara e perigosa”, disse.

Sobre a Usina Nuclear Angra 3, no município de Angra dos Reis (RJ), Torres ressaltou que quase R$ 8 bilhões de recursos públicos provenientes do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já foram investidos. O dinheiro, segundo ele, poderia e deveria ser usado em outras fontes de energia.

Outra questão abordada pelo ativista trata da aprovação do novo Código Florestal no Congresso Nacional. Para ele, a discussão vai além do ambientalismo, já que os interesses do setor ruralista, baseados na derrubada de florestas, representam uma afronta à lei brasileira.

“Devemos buscar o diálogo de uma maneira mais livre. Muitos movimentos e organizações estão presos a agendas impostas pelas grandes empresas. Temos que ter a liberdade de criticar essas empresas, de criticar os governos que são poluentes. Se não, não adianta ter Rio+20 e Fórum Social”, disse. “Com essa agenda ambiental negativa que a gente tem, uma outra economia vai ser difícil”, destacou.

Acompanhe a cobertura completa do FST 2012 no site multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

**TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO**

 
**'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'**

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível' 
 
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social. 
 
Plínio Delphino, Diário de São Paulo 
 
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:  
 
 **'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.*
 
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.  
 
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.  
 
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
 
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
 
 
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
 
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão. 
 
E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.