quarta-feira, 7 de março de 2012

Mendes Ribeiro diz que novo Código Florestal não é perfeito, mas é o melhor possível no momento



por Danilo macedo
Brasília - O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, acredita que o texto do novo Código Florestal, que teve a votação adiada para a próxima terça-feira (13), foi o possível de ser buscado neste momento e representa avanços na área. Mendes Ribeiro também pede bom-senso na votação.
“A lei em vigor é extremamente dura e o decreto em vigor, da Presidência da República, é muito ruim para o produtor. Todo mundo precisa de uma nova lei. O código que está aí não é uma perfeição em matéria de lei, mas é o possível de ser construído e eu acho que representa um avanço, sim”, disse em entrevista à Agência Brasil.
O ministro defende que os deputados tenham o tempo de que necessitarem para avaliar e votar o código. Segundo ele, a tentativa de supressão desse tempo pode causar reveses. “O tempo é dos parlamentares. E se tu tentas fazer com que esse tempo não exista, tu podes ter surpresas.”
Para Mendes Ribeiro, o novo texto “não será o código dos ambientalistas, não será o código dos ruralistas, mas será o código dos brasileiros”. Segundo ele, existe consenso na quase totalidade sobre o projeto vindo do Senado e poucos pontos ainda estão sendo discutidos com o relator da matéria na Câmara, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG).
“Sabe quantos itens eu estou discutindo com o Piau? Oito. De uns 500. É 1%. Reparaste como são poucos?”, comentou o ministro, folheando as 39 páginas do texto e após contar 100 pontos nas nove primeiras páginas.
Com o objetivo de atualizar o atual Código Florestal Brasileiro, de 1965, a proposta do novo texto começou a tramitar no Congresso há mais de dez anos, pela Câmara dos Deputados. Em maio do ano passado, o projeto foi aprovado e encaminhado ao Senado. Lá, a matéria recebeu substitutivo do senador Jorge Viana (PT-AC) e retornou à Câmara para revisão.
Os deputados agora não podem incluir trechos no texto ou fazer alterações no que foi enviado pelos senadores. A Câmara poderá apenas suprimir parcial ou integralmente o texto ou aprová-lo do jeito que está. Em seguida, a matéria será encaminhada para a presidenta Dilma Rousseff, que também poderá vetar trechos do projeto.

sábado, 3 de março de 2012

Ciclista morre atropelada na Av. Paulista e acidente gera mobilização nacional


Hoje os ciclistas do Brasil se vestem de luto. Somente nesta sexta-feira (2), foram registradas três mortes, em São Paulo, Belém e no Distrito Federal. Todos os acidentes ocorreram na parte da manhã, sendo dois ocasionados por ônibus e um por um caminhão.

O acidente que atingiu maior repercussão nacional ocorreu na Av. Paulista, centro financeiro de São Paulo, com um ônibus atropelando uma ciclista experiente de 33 anos, Julie Dias. A perícia avalia o local para entender como ocorreu a morte.

Em declaração à rádio CBN, o cicloativista André Pasqualini, que esteve no local do acidente – cruzamento entre a Av. Paulista e a Rua Pamplona, disse que segundo testemunhas a vítima trafegava pela faixa à esquerda da preferencial de ônibus, enquanto discutia com o motorista de um carro ao lado. Depois disso, o motorista a fechou e a ciclista desviou para a direita para não ser atingida pelo carro, mas então foi atropelada pelo ônibus. O motorista do carro fugiu e ainda não foi identificado.

A versão ainda não foi confirmada pelos peritos, mas Pasqualini informou também que a região é equipada com câmeras que podem auxiliar as investigações. O acidente aconteceu no mesmo quarteirão em que a ciclista Márcia Regina de Andrade Prado morreu, em 2009.

Mobilizações

A situação gerou mobilização de cicloativistas, que, em protesto, deitaram sobre a faixa do cruzamento próxima ao local do acidente. Os manifestantes foram retirados do local por policiais. No entanto, os protestos não param por aí. A comunidade de ciclistas já se articula através das redes sociais para uma homenagem à ciclista falecida. O evento será realizado nesta sexta-feira (2), às 19h, na Praça dos Ciclistas (Av. Paulista, 2443), local onde é realizada mensalmente a Bicicletada, e os ativistas contam com a colaboração de pessoas que andam de bike e de quem não anda, mas está disposto a cobrar mais conscientização no trânsito.

As mobilizações não se restringem à São Paulo. Conforme informado pelo site bicicletada.org os ativistas que estão em Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre também se reunirão no que está sendo chamado de a 1ª Bicicletada Extraordinária Nacional.




Marina Silva diz que tentativa de ruralistas por mudanças no Código Florestal é farsa

"No meu entendimento, estão ensaiando uma espécie de telecatch, aquela luta que não é de verdade", disse Marina ao participar do seminário Código Florestal: O Que Diz a Ciência? l Foto: José Cruz/ABr

A ex-senadora Marina Silva disse na última terça-feira (28) que se trata de uma farsa a movimentação da bancada ruralista para alterar o texto do novo Código Florestal, aprovado pelo Senado e que terá que ser votado pela Câmara dos Deputados. Ela comparou a decisão da bancada ruralista de apresentar emendas à proposta na Câmara com uma luta de telecatch.

"No meu entendimento, estão ensaiando uma espécie de telecatch, aquela luta que não é de verdade", disse Marina ao participar do seminário Código Florestal: O Que Diz a Ciência?, promovido pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável e a Frente Parlamentar Ambientalista. O evento reúne pesquisadores e cientistas para discutir os impactos negativos das mudanças propostas para o Código Florestal.

"Se faz uma suposta briga entre as emendas que estão sendo apresentadas para tornar o projeto ainda pior e criar um cenário para que se tenha um discurso de sanção do que foi aprovado no Senado", disse Marina.

No seminário, foi lançada campanha pedindo à presidenta Dilma Rousseff para vetar os pontos aprovados pelo Senado que, no entender dos ambientalistas, permitem o desmatamento e concedem anistia a quem desmatou. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) disse, durante o evento, que haverá uma mobilização nacional denominada “Veta, Dilma”.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) também sustentou que a intenção dos ruralistas em apresentar uma série de emendas na Câmara tem mais o objetivo de confundir. "É um jogo de cena, não se mudou na essência o que para nós é um retrocesso".

O projeto que altera o Código Florestal (PL 1.876/99) foi aprovado na Câmara no ano passado. Como o Senado modificou o texto aprovado pelos deputados, a proposta será votada novamente pela Câmara neste ano.

Luciana Lima - Repórter da Agência Brasil

Empresa brasileira está instalada em terras de tribo isolada no Paraguai

Mulher Ayoreo. Seus parentes isolados enfrentam a ameaça de desmatamento. Foto: © Survival

O departamento para assuntos indígenas do governo paraguaio (INDI), confirmou que uma tribo isolada está vivendo em uma propriedade de uma empresa brasileira de pecuária instalada em terras paraguaias, na região do norte da região do Chaco.

Uma investigação do INDI encontrou sinais claros da presença de índios Ayoreo, conhecidos também como “índios da tribo escondida” nas terras, que pertencem à empresa brasileira de pecuária River Plate e BBC S.A desde 2002. A evidência poderá render punições por parte do governo paraguaio a elas, que já foram acusadas de colocarem a vida dos Ayoreo em risco.

“Os indígenas da área são forçados a fugirem para outras zonas de forma a evitarem serem descobertos… ignorar o conhecimento possuído pelos donos originais da floresta do Chaco seria um erro tolo”, alertou o INDI.
De acordo com Rebecca Spooner, da ONG de direitos indígenas Survival International, é estranho que a empresa desconhecesse a existência desta tribo. “É difícil acreditar que em dez anos nenhum dos trabalhadores tenham cruzado com sinais de grupos isolados. Mas, claro, não é do interesse deles tornar isso público”, afirma.

Casa de índios Ayoreo isolados, descoberta quando uma estrada foi escavada em suas terras. No dia seguinte, a escavadeira retornou e demoliu a casa. Foto: © Survival

Imagens de satélite de 2011 revelaram a destruição de quase quatro mil hectares de floresta habitada pelos índios, fazendo com que as empresas fossem acusadas por desmatamento ilegal.

Em fevereiro, um líder organização Ayoreo, Porai Picanerai, pediu ao procurador-geral do Paraguai que intervisse na região. “Nós lhe pedimos para que parem com o desmatamento no Chaco, e que punam aqueles que estão matando a floresta, da qual nós dependemos para sobreviver.”

Para o diretor da Survival International, Stephen Corry, é hora de agir. “É encorajador o fato de o governo ter atendido os apelos dos Ayoreos para que se investigasse a presença de seus familiares isolados. Contudo, ações falam mais alto que discursos. O governo agora deve reprimir o desmatamento ilegal e garantir os direitos dos Ayoreo à terra, os quais eles têm demandado por mais de 20 anos. É imperativo para que a sobrevivência de seus familiares isolados seja salvaguardada”, cobrou.

“O governo pode implementar emergencialmente medidas que isolem a área de pessoas de fora. E deveria começar o processo de devolução da terra aos proprietários originais, os Ayreo”, sugere Rebecca. “O governo tem dito que irá elaborar um plano emergencial em caso de contato e para evitar contatos indesejados. Ainda estamos esperando”, completa.
*Com informações da ONG Survival Internacional


BP pagará US$ 7,8 bi a afetados por vazamento no Golfo do México

 

Acordo extrajudicial foi anunciado neste sábado (3).
Primeiros beneficiados serão pescadores que perderam seu sustento.

 

Explosão na plataforma Vazamento de óleo no Golfo do México só foi controlado em julho de 2010. (Foto: John David Mercer/AP)

Da EFE

A petrolífera BP informou neste sábado (3) que chegou a um acordo extrajudicial estimado em US$ 7,8 bilhões com os afetados pelo vazamento de petróleo registrado no Golfo do México em 2010.

Em comunicado, a empresa assinala que o dinheiro procederá de um fundo de indenização de US$ 20 bilhões estabelecido após a explosão na plataforma Deepwater Horizon em abril de 2010, o maior vazamento da história dos Estados Unidos.

A BP especificou, no entanto, que o acordo não representa uma admissão de responsabilidade por parte da empresa.

Desta forma, o julgamento que começaria na próxima segunda-feira (5) para avaliar a responsabilidade da BP foi adiado, mas ainda sem uma data concreta.

O executivo-chefe da BP, Bob Dudley, disse que a empresa sempre pensou em cumprir suas obrigações com as comunidades da região do Golfo do México, pelo que "trabalhou duro durante dois anos para fazer garantir estes compromissos".

"O acordo proposto representa um progresso significativo rumo à solução de assuntos relativos ao acidente na Deepwater Horizon e contribui para o restabelecimento econômico e ambiental no litoral do Golfo", acrescentou Dudley.

Entre as vítimas que deverão ser compensadas estão pescadores que perderam seu sustento.
Apesar de tudo, a petrolífera ainda precisa atender a reivindicações do governo dos EUA e de estados do Golfo.

O acidente ocorrido em 2010 matou 11 trabalhadores e provocou um vazamento de petróleo com alcance devastador para o meio ambiente da região, além de custar o desligamento do então executivo-chefe da empresa, Tony Hayward.

Após várias tentativas fracassadas, o vazamento só foi controlado em 15 de julho de 2010.
Até o momento, a BP pagou US$ 7,5 bilhões em trabalhos de limpeza na região.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Pesquisadores criam tecido que converte calor do corpo em energia

 

Energia despendida durante uma caminhada intensa ou pela prática de exercícios físicos seria suficiente para recarregar celulares e outros aparelhos portáteis

 

 

São Paulo – Imagine a cena: você está caminhando na rua e pega o celular para fazer uma ligação, quando se dá conta de que a bateria está totalmente descarregada. Daí, sem demonstrar um pingo de frustração, você coloca o celular no bolso da calça, pula durante alguns minutos e, voilà, uma “barrinha” de energia aparece no visor. 

 

Se depender de uma equipe de pesquisadores do Centro de Nanotecnologia da Universidade Wake Forest, essa situação digna de filme de ficção científica pode virar realidade. Em artigo publicado este mês na revista "Nano Letters", eles anunciaram o desenvolvimento de uma espécie de filtro termoelétrico capaz de produzir energia a partir do calor libertado pelo corpo humano.

Com isso, a energia despendida durante uma caminha intensa ou pela prática de exercícios físicos seria suficiente para recarregar celulares e outros aparelhos portáteis. Chamado de “Power Felt” ("feltro de energia", no português), ele é formado por nanotubos de carbono que geram energia a partir da diferença de temperatura entre o corpo e o meio ambiente.

Em comunicado divulgado no site da universidade, os cientistas explicam que se trata de uma tecnologia para uso potencial em diversos produtos – de automóveis à smartphones. Será possível, por exemplo, aproveitar a energia liberada pelo movimento das engrenagens de um carro para recarregar baterias. O mesmo forro também poderá ser usado para fornecer energia a equipamentos esportivos acoplados às vestimentas para medir o desempenho dos atletas.

Apesar de promissor, o projeto precisa de tempo e investimento para ganhar corpo e chegar ao mercado. Segundo o doutorando Corey Hewitt, que está em envolvido na pesquisa, hoje o "feltro de energia" é capaz de gerar 140 nanowatts de eletricidade, o que equivale a um milionésimo da energia gasta por um iPhone em repouso.

Para aumentar a geração de energia, diz o pesquisador, seria necessário adicionar camadas de feltros umas sobre as outras. No momento, a Universidade Wake Forest busca investidores para produção comercial do feltro termoelétrico. 

Borra de café acaba com mau cheiro de esgoto


Os amantes de café do mundo todo podem se regozijar. As pilhas de borra que são descartadas diariamente podem desaparecer com o mau cheiro típico do esgoto. 
 
Pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York relatam na revista "The Journal of Hazardous Materials" que a borra de café pode absorver o sulfeto de hidrogênio, gás causador, em grande parte, do odor do esgoto. 

Atualmente, usa-se carvão ativado ou carvão poroso para extrair o sulfeto de hidrogênio do esgoto nas estações de tratamento. 

Contudo, os pesquisadores descobriram que, quando a borra de café é transformada em carbono ativado, ela absorve enxofre --um dos componentes do sulfeto de hidrogênio, particularmente bem. Isso se deve à presença de um componente fundamental: a cafeína. 

A cafeína contém nitrogênio, que aumenta a capacidade do carbono de eliminar o enxofre do ar, explicou Teresa J. Bandosz, química e engenheira química da universidade e uma das autoras do relatório. 

Para carbonizar a borra de café, ela e seus colegas misturaram a borra à água e ao zinco e depois secaram a mistura em um forno. 

Bandosz espera que empreendedores adquiram os direitos de patente da pesquisa e a convertam em um negócio. 

Ela própria uma grande consumidora de café, Bandosz surgiu com a ideia por jogar fora uma grande quantidade de borra. 

"O café fresco funcionaria ainda melhor, pois possui mais cafeína", afirmou. "Mas não é econômico utilizá-lo." 

Créditos: "NEW YORK TIMES"