segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lei Antifumo reduziu concentração de monóxido de carbono em mais de 70% nos ambientes fechados de SP

 
São Paulo – Depois de dois anos e três meses em vigência, a Lei Antifumo, que proíbe o uso de tabaco em ambientes fechados em todo o estado de São Paulo, reduziu em 73% a concentração do monóxido de carbono, substância nociva produzida pelo cigarro nesses locais. Segundo o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, cerca de 500 mil estabelecimentos foram fiscalizados neste período e 99,8% estão cumprindo a lei estadual. Nos ambientes parcialmente fechados a queda foi 60% e nos abertos 61%.
A queda também aparece no organismo de 600 trabalhadores. Entre os não fumantes a diminuição do monóxido de carbono no organismo foi 49,2% e nos não fumantes 27,2%. “A lei foi uma grande vitória da saúde pública e se isso se reproduzir no Brasil todo, certamente será bom. Atualmente pelo menos sete pessoas não fumantes morrem no país devido à exposição involuntária no ambiente”, disse a diretora do Centro de Vigilância Sanitária, Maria Cristina Megid.
A lei pode ser estendida para todo o Brasil, já que o Senado aprovou essa semana uma medida provisória que proíbe o fumo em ambientes fechados e até a existência de áreas destinadas a fumantes. A determinação valerá a partir da sanção da presidenta Dilma Rousseff.
Segundo Maria Cristina, a Lei Antifumo é aprovada por 83% dos fumantes de São Paulo, o que indica que eles aderiram voluntariamente à determinação. Entre a população, toda a nota média para a lei é de 9,2, já que 91% da população consideram a lei boa ou ótima. Quarenta e dois por cento dos fumantes passaram a fumar menos em decorrência da lei. “Teve um trabalho intenso de conscientização da população sobre os males do cigarro e da fumaça, que não é só incômoda, mas leva a riscos graves para a saúde. Levamos essa informação para a sociedade e o que percebemos é que ela passou a cobrar que o ambiente seja livre de tabaco”, afirmou Maria Cristina.
Para a diretora, a mudança de comportamento da população paulista foi o grande ganho da lei, porque passou a ser natural não haver ninguém fumando em ambiente fechado e que os cidadãos incorporaram a lei aos seus hábitos e ao que consideram um direito e um exercício da cidadania. “Se tem uma pessoa que fuma ela levanta e vai fumar lá fora. Muitos fumantes dizem que foram a lugares onde não há a lei e não conseguiram fumar em local fechado”.
Maria Cristina destacou que logo após a lei ser sancionada em maio de 2009, a grande discussão era se a lei invadia e acabava com a liberdade de escolha da população, mas aos poucos foi se revelando que não. “O que estamos fazendo é promover a saúde da população, trabalhando com a prevenção. A partir do momento em que o Estado tem a consciência de que há uma causa de doenças e mortes que podem ser evitadas é dever do Estado legislar a favor da saúde”.
Entre os proprietários de estabelecimentos, 67% disseram não terem notado diferença no movimento, 15% disseram que aumentou e 18% que diminuiu. Entre aqueles que disseram não ser difícil controlar os fumantes estão 66%, os que contrataram vigias foram 17% e 17% disseram que os fumantes são insistentes. “O tempo de permanência no ambiente também não mudou com 70% dos proprietários afirmando isso. Os que disseram que os clientes ficam menos tempo foram 15%. Isso indica que os estabelecimentos não perderam clientela, um dos medos dos proprietários com a lei”, disse.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pesquisa no Pará revela que 60% dos eleitores são contra a divisão


Duas semanas após o início da propaganda do plebiscito em TV e rádio, a maioria dos eleitores do Pará continua rejeitando a divisão do Estado. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta , 62% dos eleitores paraenses são contra a divisão do Pará para a criação do Estado do Carajás e 61% são contra a criação do Estado do Tapajós.

Em relação à pesquisa anterior, divulgada no último dia 11, houve um pequeno aumento da rejeição aos novos Estados. A oscilação, porém, está dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Foram entrevistados 1.015 eleitores entre os dias 21 e 24 de novembro. A pesquisa foi registrada no TSE com o número 50.287/2011.

A propaganda do plebiscito na TV e no rádio ainda não foi capaz de causar alterações significativas nas intenções de voto dos eleitores paraenses. Em 11 de dezembro, eles irão às urnas decidir se querem que o Pará se separe e dê origem a mais outros dois Estados: Carajás (sudeste) e Tapajós (oeste).

Na região do chamado Pará remanescente está a maior resistência aos novos Estados: 85% são contra o Carajás e 84% são contra o Tapajós. A aprovação à divisão caiu até mesmo entre os eleitores das regiões que querem se separar. No Carajás, 78% se dizem a favor do novo Estado, uma queda de seis pontos em relação ao último levantamento. No Tapajós, 74% são favoráveis ao novo Estado, uma oscilação negativa de três pontos.

Déficit

O Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) divulgou ontem mais um estudo com as simulações possíveis em relação à divisão do Estado do Pará, com a criação dos estados de Carajás e Tapajós. Alguns dos dados apontam que os dois novos estados e mais o Pará remanescente já nasceriam deficitários.

O Pará sairia de uma realidade de superávit de R$ 277 milhões e passaria a um Pará remanescente com um déficit de R$ 778 milhões, situação idêntica aos dos novos estados, com o Tapajós apresentando um déficit R$ 964 milhões e o Carajás registraria o maior saldo negativo, estimado em R$ 1,9 bilhão.

O estudo do Idesp mostra que, no que diz respeito ao equilíbrio financeiro, estimou-se uma despesa fixa de R$ 1,4 bilhão, que independe do tamanho populacional e do Produto Interno Bruto (PIB) gerado pelo estado. De acordo com o Instituto, a proposta de divisão não é relevante como solução para os problemas regionais existentes, pois apesar da possibilidade de incrementos nos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE), bem como do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para alguns municípios, o saldo entre receita e despesa seria deficitário.

Ainda segundo o levantamento feito pelo Idesp, esses desequilíbrios financeiros acarretariam sérias implicações para a construção da infraestrutura desses estados, para o atendimento à população por equipamentos públicos referentes a educação, saúde, segurança, dentre outros, e para os investimentos necessários à promoção do desenvolvimento econômico e social.

Alerta

Os pesquisadores alertam, no entanto, que a inexistência de debates ou audiências prévias que apoiem ou esclareçam essa proposta dificulta a discussão de indicadores sociais, econômicos, financeiros e ambientais que sustentem o debate principal: a unidade ou divisão do Estado e o bem-estar da população.

O estudo considerou aspectos legais e científicos que permitiram a organização, a avaliação e a sistematização de informações estatísticas e cartográficas, além de simulações da despesa total, da arrecadação total, dos repasses do Fundo de Participação do Estado e do Distrito Federal (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), informações que somadas subsidiam a tomada de decisão da população no plebiscito do próximo dia 11.

– Os resultados mostraram a importância de se observar algumas questões: o processo de federalização do Pará é de grande relevância, pois suas consequências são automaticamente transpostas para os novos estados, visto que historicamente os grandes planos e projetos federais cujos desdobramentos são permanentes – abertura de rodovias federais e seus desdobramentos na colonização e na política agrária (BR-010 e BR-230), o Polamazônia, o Programa Grande Carajás, a implantação da Hidrelétrica de Tucuruí, entre outros – não levaram em conta os planos e projetos de desenvolvimento local, diz a pesquisa.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dica: aprenda a fazer enfeites de natal com materiais reaproveitados

  Imagem: Michele Made Me

Existem diversas opções de enfeites ecológicos para fazer o seu natal mais ambientalmente correto. A sugestão que o CicloVivo dá hoje, são dicas de diversos artistas que reaproveitam materiais como rolhas, galhos, tecidos e rolos de papel higiênico, entre outros.
Flores feitas com fitas ou tecido
Recorte tiras bem compridas de tecidos coloridos, dobre-as uniformemente e passe o a linha por uma das extremidades, conforme figura presente na galeria ao lado. O modo como as tiras são costuradas pode variar, para que as flores tenham formatos distintos.
Flores feitas com rolo de papel higiênico
Pegue um rolo de papel higiênico e retire qualquer resíduo de papel ou cola que estiver presente. A seguir, recorte seis “anéis” com cerca de um centímetro de largura, para cada flor. Passe tinta de sua preferência, dentro e fora de cada anel e espere secar. Cole os anéis em formato de pétala e espere secar. Se quiser fazer uma flor sem ser vazada, cole as pétalas separadas sobre um tecido, filtros de café usados e limpos ou papelão, e recorte os excessos.
Para finalizar, passe uma linha por uma das pétalas, una as extremidades do fio com um nó e a flor já estará pronta para ser pendurada.  
Árvore de natal feita com galhos
Para começar a construir esta árvore é preciso primeiro encontrar alguns galhos. Faça a seleção dos mais bonitos e mais lisos. A seguir determine qual será o tamanho da base de sua árvore e corte o ramo. Para cada “nível” da árvore diminua cerca de um centímetro, o comprimento dos galhos. Entre cada um, coloque um toquinho de um centímetro, todos estes pedaços podem ser colados com cola quente, para darem forma à árvore. No entanto, existe outra opção, que deixará o artesanato parecido com um móbile. Para isso, faça um furo que atravesse cada peça - de preferência com uma furadeira, depois passe com linha ou um fio de náilon pelo buraco, intercalando os “galhos” e o toco, em ordem crescente. O ideal é que sobre uma alça de náilon para que a árvore possa ser pendurada posteriormente. Se quiser decorar seus galhos, pinte-os depois de furá-los e espere secar.
Enfeites de rolhas
Perfure a rolha no sentido longitudinal e acrescente miçangas decorativas em cada uma das pontas, presas por um fio. Para furar a rolha o ideal é utilizar a furaderia com uma broca pequena. Para finalizar, dê um nó nas pontas para que não se soltem.
Caso prefira, é possível colocar no lugar das coquinhos, sementes ou pequenos caroços no lugar das miçangas.

ONU convoca líderes mundiais para a cúpula ambiental Rio+20

Da Reuters
Todos os chefes de Estado do mundo estão convidados para a cúpula ambiental que será realizada em 2012, no Rio de Janeiro, com a meta de definir formas concretas de tornar a economia mundial mais sustentável e menos desigual, disse na quarta-feira o funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas) que comanda os preparativos.

O evento de junho está sendo considerado o mais importante encontro ambiental internacional em uma geração, marcando os 20 anos da "Cúpula da Terra", realizada no Rio em 1992, e que resultaria em importantes tratados sobre clima e proteção da biodiversidade.

As crises financeiras que assolam a Europa e outras regiões desenvolvidas aumentaram a importância da cúpula, por mostrarem que o atual caminho de desenvolvimento é insustentável, disse o subsecretário-geral da ONU para assuntos econômicos e sociais, Sha Zukang.

"Nos últimos 20 anos, vimos um desenvolvimento econômico relativamente rápido (...) Enquanto isso, vimos uma crescente disparidade entre ricos e pobres. E, ao mesmo tempo, vimos uma deterioração ou destruição do ambiente", disse o chinês a jornalistas no Rio.

"Não nos faltam declarações, não nos faltam agentes, não nos faltam planos. O que mais precisamos é honrar e implementar aquilo a que os líderes se comprometeram há 20 anos."

Sha disse torcer para que todos os líderes se desloquem ao Rio, mas admitiu que na prática o quórum deve ficar em torno de 120 chefes de Estado --mais do que os cerca de cem presentes na Rio-92.

Outras autoridades dizem que muitos líderes só devem se convencer a participar quando as linhas gerais de possíveis acordos estiverem definidas, nos meses que antecedem ao evento.

ECO-92

A Rio-92 (também chamada à época de Eco-92) abriu caminho para todos os principais acordos ambientais desde então, incluindo convenções da ONU sobre mudança climática --precursoras do Protocolo de Kyoto, de 1997-- e sobre a biodiversidade.

O evento também definiu os princípios para a exploração florestal sustentável, e estimulou a criação de planos nacionais para o desenvolvimento sustentável. Mas, apesar desses tratados, grande parte da pauta de 1992 continua em aberto.

Para a conferência de 2012, a meta da ONU é assegurar "um renovado compromisso político para o desenvolvimento sustentável", e o principal foco será na promoção da "economia verde" e na reforma das instituições para esse fim.

A cúpula, porém, será marcada por amplas divergências entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento, as quais já impediram a adoção de um tratado climático para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2013, e que voltarão a transparecer na conferência climática da ONU que começa na semana que vem em Durban, na África do Sul. Um fracasso desse evento poderá reduzir as expectativas de um progresso notável no Rio.

Alguns ambientalistas e governos nacionais têm criticado o foco da cúpula do Rio nos princípios da "economia verde", pois consideram que isso enfatiza demais a tecnologia e os mecanismos financeiros, em detrimento da biodiversidade e da proteção ambiental.

As economias em desenvolvimento manifestam o temor de que esses princípios sejam usados como pretexto para o protecionismo comercial, ou como uma condição para o fornecimento de ajuda por parte dos países ricos.

Sha, no entanto, disse acreditar que o tema da "economia verde" tenha um "enorme potencial" para gerar empregos, desde que esteja no contexto do desenvolvimento sustentável e combate à pobreza.

"Não devemos, na minha visão pessoal, nos incomodar indevidamente com essa definição", disse ele.

Sha citou sete áreas prioritárias para as discussões, incluindo redução da pobreza, aumento da segurança alimentar, melhoria da gestão hídrica, criação de "cidades sustentáveis" e maior ênfase na preparação contra desastres. 

VI Feira do Conhecimento

Hoje às 18h: 00min acontecerá a grande esperada VI FEIRA DO CONHECIMENTO no El Elyon Instituto Educacional. Os alunos apresentarão vários métodos de como melhorar o nosso planeta, sem agredir o Meio Ambiente.
O tema principal dessa VI Feira do Conhecimento será: como melhorar o mundo através das reciclagens, diminuição dos poluentes, separação de resíduos (lixos domésticos, industriais, hospitalares).
Essa iniciativa é de grande importância para a nossa cidade, pois além de aprendermos a preservar o meio ambiente, passaremos informações essenciais para a comunidade local, destacou o aluno Ezequiel Braz.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Votação do Código Florestal é concluída com a aprovação de cinco destaques

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Após dois dias de discussões e protestos tímidos, a Comissão de Meio Ambiente do Senado concluiu hoje (24) a votação do substitutivo do novo Código Florestal Brasileiro. A sessão da manhã foi destinada apenas à votação dos destaques apresentados pelos membros da comissão, uma vez que o texto-base do relator Jorge Viana (PT-AC) foi aprovado ontem (23).

Foram apresentados 77 destaques, dos quais apenas cinco foram aprovados. O mais importante deles determina que não podem ser consideradas como áreas consolidadas aquelas de preservação permanente que estiverem dentro de unidades de Conservação de Proteção Integral. O destaque foi colocado porque o relator incluiu no texto que os desmatamentos feitos até julho de 2008 são considerados consolidados, e as multas aplicadas para os que fossem feitos após essa data poderiam ser convertidas para a recomposição da reserva legal. Com o destaque do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) aprovado, os imóveis inseridos nas unidades de conservação não poderão ser anistiadas e o proprietário, possuidor ou ocupante terá que recuperar as áreas de preservação permanente que tiverem desmatado.

Outros dois destaques aprovados tratam de situações que envolvem as queimadas. Com texto semelhante, eles preveem que em caso de uso irregular de fogo a responsabilidade pela infração terá que ser apurada junto com o nexo causal. Ou seja, será necessário comprovar que o dano causado ao ambiente foi realmente provocado pelo autor da queimada inicial.

O texto do código que será encaminhado para o plenário do Senado incluirá ainda um destaque que trata da criação de um sistema nacional para controle da origem de madeiras, carvão e de outros produtos e subprodutos florestais. Os estados deverão abastecer o sistema nacional e disponibilizar as informações também na internet. O mesmo destaque prevê ainda que o órgão federal que coordenar o sistema terá poder de polícia para fiscalizar os dados que constarem nele.

Quando estava na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o texto do novo código recebeu do relator, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), a definição sobre o que pode ser considerada atividade de interesse social e utilidade pública.

De acordo com Luiz Henrique, essas atividades embasam a anistia em áreas consolidadas até 2008 e incluem as relacionadas à segurança nacional e sanitária, espaços destinados a infraestrutura de serviços públicos, obras de defesa civil, regularização de assentamentos humanos ocupados por pessoas pobres, infraestrutura pública de lazer e cultura, entre outras. Um destaque aprovado hoje determina também que atividades similares a essas e que forem definidas pelo presidente da República poderão ser enquadradas como de utilidade pública ou de interesse social.

Ao fim da votação, a maior parte dos senadores considerou que o substitutivo de Jorge Viana promove avanços em relação ao texto enviado pela Câmara. O presidente da Comissão de Meio Ambiente, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), acredita que a proposta será aceita pelos deputados quando voltar à Câmara, depois de ser aprovada no plenário do Senado. “Foi o entendimento que era possível de ser aprovado pelos plenários do Senado e da Câmara. Um entendimento pelo Brasil”, disse.

Para o relator, a possibilidade de os produtores rurais poderem converter as multas ambientais em recomposição das áreas desmatadas irregularmente, fará com que o Brasil inicie um processo de recuperação das áreas de preservação ambiental. “Está muito claro, com os instrumentos que o governo federal terá depois do novo código, que o Brasil terá um dos mais bonitos programas de recomposição ambiental do planeta”, declarou Viana ao fim da votação.

O relator garante que não houve anistia aos desmatadores, porque eles terão que recuperar as matas que foram cortadas. “Muitos tentaram, ocuparam cargos no governo e não conseguiram trazer uma única árvore de volta. Com o novo código, nós vamos recompor senão os 20 milhões de hectares [desmatados], pelo menos boa parte deles”, completou.

Mas um dos principais oposicionistas ao texto, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), acredita que a possibilidade de grandes produtores rurais se livrarem de suas multas ambientais vai estimular novos desmatamentos. “O texto consolida a anistia aos desmatadores”, disse. “Quando eles juntarem todas as emendas vão ver que abre espaço a novos desmatamentos. Acho que prejudicaram muito o texto original do senador Jorge Viana”, declarou o senador do PT fluminense.

Uma pequena manifestação de estudantes também causou alguma tensão entre os membros da CMA. Apesar de pequeno número, os estudantes carregavam faixas acusando os relatores, Jorge Viana e Luiz Henrique, de terem cedido a pressões ruralistas em detrimento do meio ambiente. Apesar disso, não houve confusão com a Polícia Legislativa e o grupo foi embora após a votação dos destaques. O novo Código Florestal entra na pauta do Senado com requerimento de urgência a partir de amanhã (25).

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Comissão do Senado aprova texto base do Código Florestal


O relator Jorge Viana (PT-AC) acolheu, nesta quarta-feira (23), emenda conjunta que modifica o substitutivo do projeto de novo Código Florestal (PLC 30/2011), assinada por 15 senadores e apresentada por Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou o texto base do relatório e transferiu para esta quinta-feira (24) a votação de 77 destaques.
A emenda é fruto de entendimentos mantidos por Jorge Viana e por Luiz Henrique da Silveira junto a senadores que integram a CMA e representantes do governo e do setor rural. A emenda altera parágrafo que autoriza o governo a implantar programa para conversão de multas por crime ambiental, visando ampliar os beneficiários de tal programa.
No substitutivo, Jorge Viana previa que a conversão de multas em serviços de recuperação ambiental poderia alcançar os agricultores familiares e donos de terras até quatro módulos fiscais autuados até 2008. Na emenda, a conversão passa a alcançar todas as propriedades rurais que desmataram sem autorização ou licenciamento até essa data.
Quanto às Áreas de Preservação Permanente (APP), a emenda assegura a todas as propriedades rurais a manutenção de atividades em margens de rios consolidadas até 2008, sendo obrigatória, para rios de até dez metros de largura, a recomposição de faixas de vegetação de no mínimo 15 metros, a contar do leito regular. Isso é metade do exigido para APPs em margem de rio.
Para rios mais largos, a emenda estabelece que os imóveis de até quatro módulos fiscais devem recompor faixas de matas correspondentes à metade da largura do rio, variando de um mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros, não excedendo os percentuais definidos para áreas de reserva legal.
Para propriedades maiores que quatro módulos fiscais com áreas consolidadas nas margens de rios, a emenda estabelece que os conselhos estaduais de meio ambiente estabelecerão as dimensões mínimas obrigatórias de matas ciliares, também respeitando o limite correspondente à metade da largura do rio, observando o mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros.
Ainda na emenda, os senadores sugerem que sejam admitidas atividades consolidadas no entorno das nascentes e olhos d'água, sendo obrigatória a recomposição da vegetação em um raio mínimo de 30 metros.
Na discussão da matéria, diversos senadores afirmaram que o texto não é o ideal, mas representa o "acordo possível", mesmo que não atenda a todas as demandas do agronegócio ou dos ambientalistas. Blairo Maggi (PR-MT), Waldemir Moka (PMDB-MS), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Jayme Campos (DEM-MT), entre outros signatários da emenda, fizeram a defesa do acordo e apelaram aos demais senadores para que o substitutivo de Jorge Viana seja votado o quanto antes.
Em sentido contrário, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) protestou contra o que chamou de "negociação feita na calada da noite". Ao lado dos senadores pelo PSOL Randolfe Rodrigues (AP) e Marinor Brito (PA), Lindbergh pediu ao presidente da CMA, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que adie a votação da matéria, para que os senadores possam discutir as mudanças propostas.

Fonte: jornalmeioambiente.com